Sunday, April 8, 2007

O GRANDE EXPLICADOR

É inevitável. Sempre que se discute a existência de Deus, o argumento final que é suposto rematar a contenda surge da boca do crente: "como é que explicas...?". A continuação da pergunta fica ao critério do inquiridor mas a resposta é sempre mais vaga e indefinida que o suposto mistério que pretende desvendar. Se não lhe dão nome dizem que é uma força, que é energia, que existe "alguma coisa maior que nós". A ignorância tem muitos sinónimos. Deve ser por vontade de Deus.

Saturday, April 7, 2007

E FUNCIONA

Pensemos por um segundo num mundo sem electricidade. Já está? Demos então graças à ciência por tudo o que nos deu. E por um micro-ondas, um frigorífico e um avião funcionarem da mesma maneira em Portugal, no Iraque ou no Japão. Aleluia. Ou Ámem.

ETIQUETAS

Há milhares de religiões no mundo e todas reclamam para si o exclusivo da verdade com exclusão das demais. Biliões de pessoas em todo o mundo reivindicam como suas as certezas que não possuem e mesmo os fiéis do mesmo rebanho discordam entre eles acerca da natureza e da essência da(s) divindade(s). Ninguém sabe e neste tipo de discussões não se exigem provas. Se pedirmos evidências concretas para avaliar as religiões como fazemos para comprar uma casa, ir ao médico ou fazer um seguro o mais provável é não as recebermos. E no entanto somos definidos em função do nosso credo religioso e é suposto sentirmos orgulho dessa identidade. Católicos, protestantes, judeus, islâmicos, hindus, budistas, animistas. Porquê e para quê?

A FÉ MOVE MONTANHAS

Só mais um último esforço e estaria salvo.O calor do deserto secara-lhe a boca e o corpo mas acreditou que naquela duna havia água. Teve fé, muita fé. E rezou, rezou muito. Acabou por morrer, naturalmente. Desidratado.

Wednesday, April 4, 2007

OS LIVROS E AS FRONTEIRAS

O Livro deste lado é diferente do Livro do outro lado. O papel e a tinta podem ser iguais mas os leitores não ligam a insignificâncias e levam a Palavra muito a sério. Chega a ser um assunto de vida ou de morte. Pós-vida e prò-morte. E vice-versa.

"WHO MOURNS FOR ADONAIS?"

Ninguém chora por Zeus. Nem por Hera, sua amada esposa. Não lhes fazem promessas nem lhes pedem favores ou prestam culto. Séculos passaram e ficou-nos a memória de um passado glorioso, estórias fantásticas e um local outrora sagrado. Mergulhamos em Homero e voamos até ao Olimpo. Outros livros, outras eras, outros voos.

CRENÇA

O ateismo é a forma mais sublime de fé. Acreditar na inexistência de deus não é fácil e em cada ateu há um crente desiludido. Quem não gostaria de gozar a vida eternamente, sem as privações, tristezas e sofrimento com que somos confrontados diariamente? Quem recusaria a possibilidade de ser feliz para sempre? Muito poucos, certamente. Então porquê ser ateu? Epistemologicamente a postura mais racional e honesta é ser agnóstico. Não é possivel saber se deus existe ou não e, caso exista, qual é verdadeiramente a sua essência e natureza. À falta de provas esgrimir-se-ão sempre argumentos contra e a favor mas a questão permanecerá em aberto. Para ir mais longe é preciso dar o salto de fé, comum a crentes e ateus. A diferença entre ambos está apenas no pára-quedas. E na coragem de saltar para o vazio.